Ir para o conteúdo principal
← Voltar para os contos

1 min de leitura

Insignificância

Imagem do conto Insignificância

Não sei que dia da semana é, que dia do mês… Que mês? Já nem sei minha própria idade.

Desperto cedo na praça. Sol no rosto. Buzinas ressoando na minha cabeça. Figuras familiares no princípio da manhã: o policial careca mal-encarado, a professora de cabelos vermelhos, o garoto colegial cadeirante, a jovem surfista tatuada, o roqueiro alto cabeludo e ela.

Ela surge logo após a alvorada. Destaca-se nos trajes esportivos, corre graciosa. Em raras vezes, troca um olhar comigo. Sempre com seu companheiro, o qual também não faz caso de mim. O maldito goza de uma vida suntuosa ao lado dela: morada aprazível, leito aconchegante, refeições fartas.

Desprezado, abraso-me de inveja. Alimento a desilusão, quero dissipar essas tolas fantasias. Afinal de contas, meu amanhã será apenas a reprise da presente miséria.

Agora o infame me encara. Olhos curiosos.

Um cachorro! E eu que vivo feito animal.